AI Regulation & Policy
Jun 19, 2026

Resumo do dia
A batalha regulatória em torno da IA intensificou-se esta semana: a administração Trump entrou em conflito com a Anthropic por causa do modelo de IA 'Mythos', numa disputa que pode redefinir as regras do setor para todas as empresas. Na Europa, retalhistas como Amazon, H&M e IKEA pressionam para que anúncios criados por IA fiquem isentos das novas leis de transparência da UE, que entram em vigor a 2 de agosto. Ao mesmo tempo, grandes empresas ainda não perceberam os riscos que a IA representa para os seus negócios, segundo a consultora KPMG.
Principais notícias
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Trump entra em confronto com a Anthropic por modelo de IA secreto, com telefonema do CEO da Amazon a desencadear a crise
A administração Trump tomou medidas para restringir o modelo de IA 'Mythos', desenvolvido pela Anthropic (empresa criadora do assistente de IA Claude), numa disputa que envolveu um telefonema do CEO da Amazon, Andy Jassy, e que abalou toda a indústria. A Amazon é um dos maiores investidores da Anthropic, o que torna este conflito particularmente sensível. O caso levanta questões sobre como o governo dos EUA pode controlar modelos de IA avançados com potencial uso em segurança nacional.
Esta disputa pode determinar se e como as empresas de IA poderão lançar os seus modelos mais poderosos no futuro — afetando os produtos de IA que chegam ao mercado para consumidores e empresas.
- 2
Grandes retalhistas europeus pedem à UE para isentar anúncios criados por IA das novas regras de transparência
A Eurocommerce, associação que representa retalhistas como Amazon, H&M, Inditex (dona da Zara) e IKEA, enviou uma carta à responsável tecnológica da UE, Henna Virkkunen, pedindo que os anúncios gerados por IA não sejam considerados 'deepfakes' (conteúdo falso criado artificialmente). A Lei da IA da União Europeia, que entra em vigor a 2 de agosto de 2026, obriga as empresas a identificar claramente onde a IA foi usada para criar ou alterar imagens, vídeos ou áudio. A associação argumenta que anúncios criados por IA sem intenção de enganar os consumidores não devem cair nesta categoria.
Se o pedido for aceite, os anúncios que vê online — mesmo que totalmente criados por IA — podem não precisar de qualquer aviso ou etiqueta a identificá-los como tal.
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KPMG avisa: os conselhos de administração das empresas ainda não estão preparados para gerir os riscos da IA
Segundo o responsável global de risco da KPMG (uma das maiores consultoras do mundo), a maioria das empresas foi construída para um mundo previsível, mas a IA funciona de forma probabilística (ou seja, os seus resultados não são sempre os mesmos nem totalmente previsíveis), o que cria novos riscos que os conselhos de administração desconhecem. A KPMG lançou um guia de sobrevivência para líderes empresariais, em parceria com a escola de negócios INSEAD, alertando que a IA já está integrada nos processos centrais de muitas empresas sem uma supervisão adequada.
Se a empresa onde trabalha usa IA nos seus processos — desde atendimento ao cliente até análise financeira — mas não tem alguém a monitorizar os riscos, os erros da IA podem passar despercebidos até causarem danos reais.
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OpenAI contrata o co-inventor do Transformer e um ex-responsável de política de IA de Trump antes da sua entrada na bolsa
A OpenAI (criadora do ChatGPT) reforçou a sua equipa com duas contratações de peso na mesma semana: Noam Shazeer, um dos cientistas que inventou a arquitetura 'Transformer' (a tecnologia de base que alimenta praticamente todos os modelos de IA modernos, incluindo o ChatGPT), que vem da Google DeepMind; e Dean Ball, ex-funcionário responsável pela política de IA na administração Trump. A combinação de talento técnico de topo com experiência política sugere que a OpenAI quer dominar tanto a tecnologia como a regulação antes de abrir o seu capital na bolsa.
A entrada de um especialista em política governamental reforça que as decisões regulatórias sobre a IA em Washington vão influenciar diretamente o que o ChatGPT pode ou não fazer no futuro.
- 5
ServiceNow torna-se discreta mas importante árbitro da governação de IA nas grandes empresas
A ServiceNow, empresa de software (programas informáticos) especializada em gestão de processos empresariais, está a posicionar-se como a plataforma central para as empresas controlarem e supervisionarem como a IA é usada internamente. À medida que as empresas adotam mais ferramentas de IA, cresce a necessidade de um sistema central que monitorize, aprove e audite o uso dessas ferramentas — e a ServiceNow quer ser esse sistema.
Nas grandes empresas, a decisão de quais ferramentas de IA os trabalhadores podem usar pode passar a ser controlada por plataformas como a ServiceNow — o que afeta o acesso a estas tecnologias no local de trabalho.
Em breve
A 2 de agosto de 2026, a Lei da IA da União Europeia entra em vigor, obrigando empresas a identificar conteúdo criado por IA — incluindo potencialmente anúncios. A decisão da UE sobre o pedido de isenção dos retalhistas europeus determinará se o que vê online terá de ser identificado como criado por IA ou não.
Fontes
- Boards are sleepwalking into the AI era. KPMG’s global risk chief has a survival guide
- AI-generated ads should be exempt from EU transparency rules, retail association says
- AI Governance Cannot Be a Tool Call
- The week that changed AI: Inside Trump’s Anthropic crackdown, and how a phone call from Amazon CEO Andy Jassy triggered the chaos
- Is ServiceNow (NOW) Quietly Becoming the Core Orchestrator of Enterprise AI Governance?
- OpenAI is bringing on some big guns in the lead-up to its IPO
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